
Estes últimos três anos tinham sido devastadores para Ruca. A leucemia não dava tréguas e esperava desde então por um transplante de medula. As longas sessões de quimioterapia não surtiam efeito e a única coisa que tinham feito foi deixá-lo careca para a alegria dos seus colegas da escola, que troçavam dele.
Naquele fim de tarde tinha chegado mais cedo do IPO à sua casa nos Olivais.
- Filho! Ainda bem que chegaste mais cedo, que eu preciso que tomes conta da tua irmã enquanto dou um salto ao LIDL. Tem cuidado que ela tem estado adoentada.
- Vai descansada mãe.
Assim que sentiu a porta bater, serviu-se com dois dedos de VAT 69 e acendeu um SG Filtro. Aquelas sessões deixavam-no exausto.
Passou pelas brasas alguns minutos e foi ver se estava tudo bem com a mana.
- Acorda, puta! A mãe foi ao LIDL buscar comida congelada, que a velha nem um ovo sabe estrelar. O pai ainda não chegou e estamos sozinho. - Gritou Ruca enquanto acariciava a irmã de uma forma íntima.
Às escondidas dos pais, os dois irmãos mantinham há mais de três meses uma relação incestuosa.
Naquela tarde, como em tantas outras, resolveu possui-la ali mesmo.
- Pára, Ruca! Tenho que te contar uma coisa. Acho que estou grávida e que vais ser pai e tio. Vomitei a manhã inteira e tenho a certeza que estou atrasada, apesar de nunca me ter aparecido o borrolho.
- Azar do caralho! - Disse Ruca furioso - Um gajo come a irmã de cinco anos e ela agora aparece-me prenha. Puta de Merda!
Ruca estava de cabeça perdida. Deu três cinturadas nas costas da irmã, para mostrar quem manda e falou em voz alta.
- Se contas alguma coisa aos pais, desfaço-te em merda com o cinto. Vais fazer aquilo que eu te disser e bico calado.
Depois de explicar à irmã o seu plano, dirigiu-se para o seu quarto e começou-se a masturbar em frente ao monitor do computador, onde guarda fotografias da irmã nua.
A mãe chegou finalmente das compras com duas refeições de bacalhau à Brás para o jantar. O pai, que entretanto chegara, encontrava-se no banho e o Ruca estava entretido no quarto a jogar Counter Srike. A mãe foi ver se estava tudo bem com a filha, quando se deparou com a menina a chorar e uma mancha de sangue nos lençóis.
- Mamã, mamã! O papá fez-me um dói-dói no pipi.
A mãe começou de imediato aos gritos. - O que é que aquele selvagem, porco de merda, filho da puta te fez? Vou capá-lo com a faca de trinchar peru.
Correu em direcção à casa de banho onde o pai se lavava, fechou-o lá dentro à chave e chamou a polícia e os bombeiros.
Ainda nem tinha acabado de fechar a torneira quando sentiu um estrondo na porta. Viu dois agentes encapuçados dos GOE a entrar por ali a dentro e sentiu de imediato duas vergastadas de cacetete no lombo.
- O que é que está a acontecer? Porque é que me estão a bater.
- Cale-se, pedófilo da merda! - Disse o mais alto enquanto lhe assentava mais uma paulada nos costados. - Vamos ver o que é que na prisão vão fazer contigo.
Enquanto o arrastavam nu pela sala, olhou nos olhos da mulher. - Eu não fiz nada. O que é que se está a passar?
A mãe puxou de um escarro das profundezas dos intestinos e cuspiu-lhe na cara.
Lá em cima, Ruca chorava de tanto rir e ainda não tinham visto a cereja em cima do bolo. Antes do pai chegar tinha passado as fotos da irmã para o portátil do pai e tinha descarregado mais umas fotos de pornografia infantil só para compor mais a coisa. O plano era perfeito.
Haviam passados três dias sem que ninguém dormisse na ala Norte da prisão de Alcoentre. Os gritos lancinantes do pai na cela enquanto era penetrado ecoavam em todos os corredores.
O guarda Rocha durante a ronda da manhã, parou à frente da cela do pai que não parava de gritar.
- Ajude-me por favor. Eles vão matar-me. - As dores eram insuportáveis e uma enorme poça de formara-se no chão com o sangue que lhe escorria do recto.
- Pensasses nisso antes, seu porco sujo.
Passados quinze minutos o pai enforcava-se na cela com um lençol. Era o fim daquela agonia. Morreu sem saber o que se tinha passado.
Quando soube da morte do marido, sentiu-se culpada pelos últimos acontecimentos. O casamento passava por dificuldades desde a doença do Ruca e tinha-se refugiado em doses excessivas de analgésicos. Tinha também um amante caboverdiano chamado Celestino, que a "confortava" nos momentos difíceis. No entanto o tormento mal tinha começado.
- Mamã! A Ritinha está-se a esvair em sangue. Tá mais para lá do que para cá.
Ruca não gostava de pontas soltas. Tinha bastado um biqueiro certeiro na barriga da irmã para resolver o problema. Três horas depois a cachpa morria no hospital.
A morte da filha fora a gota de água. Aproximou-se cada vez mais de Celestino, que a introduziu ao maravilhoso mundo das drogas duras e da prostituição.
Ruca até nem se importava de ver a mãe com velhos e mendigos atracados nas costas quando chegava a casa, mas quando esta lhe vendeu a PS3 para comprar droga , passou-se mais uma vez dos cornos.
- Vais morrer, puta de merda!
Agarrou na faca do presunto, correu na direcção dela e cortou-lhe a cabeça num único golpe. Pegou na cabeça solta pelos cabelos e atirou-a repetidamente contra a parede enquanto gritava - Sua vaca gorda, destruíste a minha vida!
Ruca, cedo se apercebeu que se tinha deixado levar um pouco pela emoção e decidiu pôr termo à sua vida. Telefonou à polícia para que o encontrassem morto e lançou-se de cabeça contra a esquina da pedra mármore da cozinha. O impacto na têmpora esquerda matou-o de imediato.
Nem trinta anos de carreira do inspector Varatojo (nem me dei ao trabalho de ver se o homem já teria por lá morrido) o podiam preparar para aquela cena macabra. Assim que arrombou a porta da entrada, vomitou-se de imediato e sentiu a urina quente a encharcar-lhe as calças. Foram precisos três dias e um limpa-neves vindo de Manteigas para limpar os dois corpos da sala.
Passados uns dias, Celestino suicidou-se na oficina onde trabalhava, metendo a cabeça debaixo de um Fiat Punto e fazendo baixar o macaco hidráulico.
Ninguém ficou minimamente afectado com o massacre, até porque ninguém na aldeia ia muito à baila com aquela gente. Havia sempre o medo que o cancro do Ruca se alastrasse aos outros garotos.
E viveram mais ou menos felizes por uma determinada quantidade de tempo...
Este episódio irá para o ar na próxima semana e terá a realização a cargo de Quentin Tarantino.
As personagens terão obviamente de ser substituídas por outros actores para que se faça então a reconstituição do crime. O Ruca será interpretado por aquele boneco animado que contracenou com a Ana Bustorff e que tem uma camisola igual à do palhaço do McDonald's. Tozé Martinho e Lídia Franco serão a mãe e o pai respectivamente. A Ritinha será uma qualquer garota dos morangos e o Celestino será interpretado por Caicedo.